10.2.13
CARNAVAL
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Pergunto-me sempre,comemorar o quê? Festa de quê? Por que multidões deliram ao som embriagante de música que faz o sangue ferver e a cabeça sair do lugar.
Parecem hipnotizadas por alguma força desconhecida, massificando as inteligências, colocando todos numa medida pequena e sem sentido.
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Trazendo a permissividade ao ponto do esmagamento da moral.Tudo é permitido, sem ética, sem respeito, sem atenção, sem cuidado, sem sentido. Há um festival de desregramentos com a promessa de prazeres bobos e efêmeros. No carnaval não se coloca a máscara,mas tira-se a máscara,e deixa-se vir o que realmente temos escondido na maioria dos dias. Deixa-se à mostra a vulgaridade, os apelos eróticos, perde-se o centro e tombamos no mais profundo dos abismos, dividindo a nós mesmos num desencontro de nossa alma.
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Pra quê? Sob a desculpa de resgate da cultura verdadeiras torpezas são evocadas,mentes levianas consorciadas.
Pactos anônimos são selados sem a devida anuência,embora com toda consonância permitida. Consequências que duram toda uma existência ou várias existências em troca de sei lá o quê.
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Envereda-se por becos sujos e mal cheirosos, cheiro de insanidade,buscando rosas exalando o gosto acético das bebidas.
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Comemora-se a vida? Como? Não percebo a natureza da celebração quando o espírito é anulado na teimosia de eternizar o que é transitório.
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No carnaval exaltamos o entorpecimento dos sentidos, as sensações, e sepultamos os sentimentos. Valorizamos o que não vai ficar.Abrimos feridas quando as nossas condutas vestem-se de vergonha e de insensatez.Nunca se consegue reunir tantos em torno do nada,multidões sem objetivo em torno de músicas tolas.Chagas são abertas e o tempo torna-se pouco para fechá-las.
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O que é este Carnaval?
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O que mais é lamentável é a falta de observação dos pais de mentes em formação.Lamentável é ver os jovens colocando nestes dias de folia o desejo da felicidade, como se fosse possível experimentar bem -estar real neste amontoado de sensações. Aceitam-se os lampejos tímidos de bem estar efêmero por que não há nada que fale ao contrário.Não há base,nem construções da verdade, sobre a vida e sobre o viver. Vive-se pra quê? Para esperar 4 dias de alegrias vãs no início de um ano? Viver para contatos físicos sem sentimentos e sem critérios? Viver para se entorpecer com os alcoólicos e se anestesiar da realidade? Faltam respostas e falta mais. Faltam as perguntas certas. Onde estão os educadores?De mãos dadas neste proselitismo tolo? Nego-me a crê...
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Faltam os valores corretos,porquê quem deveria proferi-los também não os têm.Por quê quem deveria educar não estar educado.Por quê quem deveria inspirar os jovens também foi fisgado nesta teia de falsas sensações. Dói minha alma ao pensar e perceber todo este desacerto.
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Os jovens estão sendo colocados no mundo sem o cuidado devido, sem a atenção a que lhe devemos.Jogados ao vento esperam os falsos educadores que eles amadureçam e no devido tempo mostrem o que querem.Seria como plantar a semente e ver no que vai dar. Sem regar a futura plantinha,sem adubar o solo antes, sem observar o joio que cresce ao lado e às vezes dentro da semente.Sem observá-los como entendê-los?
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Deveriam entender que as pobres vítimas têm sede de ouvir o que é certo, o que podem, o que devem, o que é permitido. Mas não chegando as informações eles vão se formando ao sabor do vento e como podem.
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Uns vêm com bagagem suficientemente boa e não se deixam contaminar e apesar das circunstâncias continuam crescendo, outros vieram contaminados e terminam infectados e outros já infectados precisavam de antimicrobianos eficazes ,mas não encontrando-os se degeneram mais e mais...